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Enéas Athanázio




Com sua vasta obra, Mário Souto Maior não está construindo apenas um painel amplo do folclore nacional mas também lhe conferindo um sentido unificador, permitindo aquela visão de conjunto que antes dele seria difícil, se não impossível. Mais uma pedra dessa obra arrojada, levada a efeito com empenho e competência, acaba de ser lançada e constitui o 47o livro de sua autoria. Refiro-me ao "Dicionário de Folcloristas Brasileiros" (20-20 Comunicação e Editora – Recife – 1999), graças ao qual estudiosos poderão encontrar, num só volume, todos, ou quase todos, os folcloristas brasileiros e se informar sobre suas posições científicas, realizações e obras.

 

Como se pode inferir, é um trabalho de vasta pesquisa e que custou ao autor incontáveis horas de trabalho, consultas, anotações e buscas pessoais para suprir as lacunas e deficiências sem dúvida encontradas na bibliografia até então existente. É fácil imaginar a carga de leitura que se impôs para realizar a ambiciosa obra.

O livro contém cerca de 460 verbetes, cada um deles contemplando um nome, desde os mais antigos até os contemporâneos, o que não deixa de surpreender pela quantidade de brasileiros que vêm se dedicando aos estudos folclóricos. Mesmo considerando que não foram contemplados apenas os folcloristas stricto sensu, isto é, aqueles cuja obra predominante trata do assunto, mas também aqueles que, não sendo folcloristas, deram a sua contribuição, ainda assim surpreende o número deles, o que é apenas positivo num país onde a cultura popular é tão rica e variada como o nosso. Note-se ainda, como alerta o autor, que muitos ficaram de fora por absoluta falta de elementos informativos.
 

Embora todo dicionário seja por natureza obra inacabada, sempre aberta para receber as mutações que ocorrem na vida real e não cessam jamais, o livro de Mário Souto Maior ficará como um marco em nossos estudos folclóricos, destinado a ser instrumento de trabalho indispensável para os estudiosos do assunto e das ciências sociais em geral. Como aconteceu com outros livros de sua autoria, será fonte de informação geral e ponto de partida para estudos particularizados. Como afirma o autor, o "Dicionário" vem "preencher uma lacuna, pelo simples motivo da inexistência de um similar".
 

Entre os folcloristas brasileiros predominam com folga os nordestinos, cujo pendor pela pesquisa é conhecido. A região forneceu alguns dos maiores nomes de nosso folclore, como Sílvio Romero e Câmara Cascudo, entre outros. Em seguida se coloca São Paulo, não só pela quantidade mas também pela importância de figuras como Mário de Andrade, Amadeu Amaral, Alceu Maynard de Araújo, Florestan Fernandes e outros. Santa Catarina aparece com nove nomes: Alice Inês de Oliveira e Silva, Egon Schaden, Lélia Pereira da Silva Nunes, Nereu do Vale Pereira, Osvaldo Ferreira de Melo Filho, Osvaldo Rodrigues Cabral, Walter Fernando Piazza, Doralécio Soares e Theobaldo Costa Jamundá, os dois últimos pernambucanos radicados em nosso Estado há longos anos.
 

ATHANÁZIO, Enéas. Blumenau em Cadernos.
Blumenau (SC), Tomo XL, no 11/12, nov./dez., p. 79

 

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